Vadia!

Autor: Tiago Delfini

Categoria: Comédia
Completa: Sim
Capítulos: 1
Resumo: A Princesa precisava ser salva e o grande cavaleiro das cavalgadas precisava de dinheiro.

N/A: Essa HO nasceu de uma conversa muito non-sense com a Ladie. Te adoro, garota

 

 

Vadia

Capítulo Único

A torre era alta, medindo quase cem andares de nossos prédios. Com a armadura pesada, o grande salvador da pátria procurava o fim das escadas em caracóis. Reclamava e resmungava até não ter mais vocabulários para indicar sua raiva.

Alcançando a porta, ele soltou um glórias a qualquer divindade que viesse primeiro para ouvir o agradecimento e rapidamente chutou a porta.

Uma mulher, de cabelos loiros e vestidos de seda finos azuis estava deitada, olhando para a porta assustada.

– V-você veio me salvar? – perguntou com uma voz quase que cantada, igual as princesas que ela conhecera nas histórias.

– Não, vim entregar a correspondência. – respondeu sem paciência – Claro que vim te salvar, bruaca! Depois de subir por quase três horas, eu finalmente encontrei a princesa e, pela beleza que te precedia… achava que seria mais bela.

Ofendendo-se ela soltou um gemido e virou o rosto.

– Oras, seu bárbaro. – O grande bárbaro pegou-a pela cintura e colocou em seu ombro, deixando a cabeça da princesa virada para suas costas e o odor da adrenalina descendo pelo estômago. – Ah, que horror!

– Não reclama, to segurando esse peido desde que o dragão arrotou na minha boca … E pode ter certeza que o cheiro era bem pior.

– Mas, meu senhor, você não vai me falar qual seu nome? – disse tentando manter a compostura.

– Não te interessa, canhão das montanhas. – disse cuspindo e descendo as escadas novamente – Sua família, além de te odiar, odeia quem quiser vir salvá-la não?

– Como assim? – perguntou.

– Olha a merda dessas escadas! Ninguém com coragem o bastante subiria isso…. E, além de enfrentar um dragão lá embaixo, sobe três horas de escadas para encontrar OUTRO em cima.

– Tinha outro? – perguntou assustada.

– Sim… Mas agora entendo o porque da raiva do lá de baixo, você deve ser filhote dele.

– Oras, como assim?

– Além de feia é burra… que merda, não?

Por horas, no caminho de volta ao grande castelo, o silêncio pairou entre os dois. Enquanto a noite nascia, a respiração do grande salvador se tornava mais forte com o cansaço.

– Cara, você é gorda demais! Sozinho eu consegui correr mais de dois dias sem parar. Com você, em menos de dez horas eu cansei.

Ela nada respondeu, sabendo que não adiantaria nada, considerando toda a grosseria gratuita que o cavaleiro lhe entregara nas poucas horas que estavam juntos.

– Falta muito? – perguntou, tentando se livrar da reclamação.

– Se não se calar, te levo pra merda da torre e o próximo infeliz que bater na tua porta vai ser um troll.

A princesa coitada estava começando a se perguntar se realmente havia sido salva ou entrado em outra enrascada. “Para fora da frigideira, direto pro fogo” como diria um grande escritor que ela lera nos livros da torre.

– Vamos parar nessa caverna. Não me parece perigosa e não precisarei ficar me preocupando com você.

Jogando-a no chão, ela levantou e limpou-se antes de adentrar à caverna.

– Meu senhor, eu não poderei dormir aqui… É muito suja e meu vestido ficará imundo para me receberem no reino com louros.

Ele pegou um punhado de terra, cuspiu nela e jogou no rosto da princesa.

– Pronto, já tá com cara de caverna, senta e cala a boca.

Em silêncio, ela se deitou e procurou uma pedra para fazer de travesseiro e tentar dormir sua primeira noite fora daquela torre solitária.

Madrugada adentro, um barulho ecoou por toda a caverna, assustando a princesa e fazendo-a levantar.

– Meu senhor, que barulho foi esse? – perguntou olhando para o cavaleiro que ainda estava acordado.

– Você falando, gralha. – respondeu, pegando uma pedra e lascando-a para afiar sua flecha.

– Não… Não é isso que estou lhe dizendo. – Novamente o barulho ecoou por toda a floresta. – Será um Troll?

– Olha, sua família veio te buscar! – Ainda não dava-lhe a atenção correta. – Durma, princesa- Ele pegou a pedra que usara para afiar e jogou na cabeça da princesa, fazendo-a desmaiar novamente.

Ao abrir os olhos, a princesa viu-se novamente em uma cama confortável. Seus cabelos estavam finalmente arrumados, seu rosto era macio novamente como uma princesa deveria estar e sua roupa era dourada de ouro. Suspirou alegremente, dando graças às divindades que finalmente estava livre do caçador.

A porta abriu e a empregada adentrou, sem perceber que a princesa estava acordada. Quando percebeu, prestou honras à princesa e saiu de fininho.

– Por favor… – disse a princesa antes que ela saísse – Onde está o bárbaro que me trouxe?

– Ele foi embora, minha senhora… Mas deixou-lhe uma carta que está do lado de sua cama.

Ela viu o papel surrado, sujo de terra e lama. Pegou-o com cuidado e observou a caligrafia, lendo a carta tirando os erros de escrita ela sorriu:

” Bruaca,

Ver-te dormindo foi o momento mais feliz da minha vida…

Fiquei feliz em saber que mulheres também roncam… E ainda reclamam de um homem.

Mas, fora isso, percebi que você pesa mais quando está inconsciente e foi uma labuta trazer uma baleia azul para o reino.

E, mesmo com sua preguiça parecendo a princesa Aurora que nunca mais acordou, você não me deu tanto trabalho quanto aquela vaca da Branca de Neve.

Por isso, devo agradecer-te por desmaiar e não me fazer ficar mais irritado do que estava.

Fique bem, vadia.”

– Um grosso como aqueles, poderia escrever algo gentil. – disse por fim.

A noite estava começando no terceiro dia de liberdade da princesa e o grande castelo estava agitado, preparando para o baile que teria em homenagem à ela.

“EMPREGADA INFELIZ, ONDE ESTÁ A MERDA DO MEU VESTIDO?” gritou a princesa.

Fim

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